Editorial de 27/12/2012, Jornal Terceira Via

Por Claudio Carneiro

Recente pesquisa do IBGE, baseada nos dados do Censo 2010, apontou Campo Grande (MS) como a cidade mais arborizada do país. O estudo contempla somente as metrópoles com mais de um milhão de habitantes, fato que deixaria Campos dos Goytacazes – com seus 463.731 habitantes, pelo mesmo recenseamento – fora da amostragem. Completam a lista das cinco mais: Goiânia, Campinas, Belo Horizonte e Porto Alegre.

Ocorre que não é preciso ser nenhum especialista em meio ambiente, nem se comete qualquer injustiça ao constatar, que Campos dos Goytacazes está entre os municípios mais pelados do Sudeste – e também entre os mais quentes. Até mesmo os bairros Jardim Flamboyant, Caju, Horto – e vários outros que receberam a denominação de “parques” – carecem de maior arborização. Árvores e mata nativa foram cortadas para dar lugar, por exemplo, ao monumento de concreto armado batizado de Cepop. Comparando com fotos antigas, tem-se a sensação de que a Praça São Salvador foi devastada. Nas ruas do Centro, é difícil encontrar a sombrinha de uma árvore para aliviar o calorão destes dias. Longos trechos da Avenida 28 de março, por exemplo, parecem mostruários de mobiliário urbano – como pontos de ônibus sob sol a pino – além do concreto e ferro utilizados para fazer uma ciclovia desprovida de arbusto ou sombra. Justiça se faça: o trecho final da 28 de março (após o campo do Americano) é arborizado e tratado.

Além do conforto e da beleza – ou mesmo dos benefícios do extrativismo racional – as árvores se caracterizam ainda pela preservação da vida silvestre e de plantas, retiram poluentes do ar, influenciam diretamente no clima e têm ainda um valor simbólico importante. Sociólogos e estudiosos consideram a função social de uma árvore. Elas transmitem a sensação de justiça ao cidadão, afinal, é nelas que animais mais fracos de refugiam de seus predadores e, pasme, foi também ali – nos troncos ou no alto dos galhos – que foram cumpridas diversas sentenças de morte ao longo da História.

É admirada no mundo inteiro a dupla fileira de árvores que tornou famosa a Avenida Champs-Élysées, em Paris. Mas saindo do aspecto turístico e indo para o lado prático, há diversas empresas que vendem mudas de árvores. As compras no atacado – acima de cinco mil mudas – custam em média R$ 1 por unidade. São árvores lindas e decorativas como o ipê amarelo do cerrado, louveira (característica da Mata Atlântica), mimosa bimucronata ou maricá (que além de ser local, tem indicações medicinais e oferece boa sombra), e ainda as frutíferas: ingás, jabuticaba sabará, jaracatia, jurubeba, mutambo, pitanga ou de madeiras nobres: jatobá, marmelo do campo, mutre, olho de pavão (com ótima sombra e linda ervilha vermelha), pau ferro (com generosa sombra) e pessegueiro bravo (árvore frondosa com belas flores).

Fica a sugestão para dias mais frescos e agradáveis.

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