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Em sua primeira viagem internacional em 2019, o presidente e ditador de plantão da Venezuela, Nicolás Maduro, percorreu esta semana os 9.927 quilômetros que separam Caracas de Moscou. Na capital russa, o mandatário de 1,90m se avistou com o presidente Vladimir Putin – 20 centímetros mais baixo – em meio à crise política, econômica e social que devasta nosso vizinho sul-americano.

O encontro ocorreu um dia depois de o presidente americano Donald Trump fazer um alerta à Venezuela durante discurso na Assembleia Geral da ONU – no que foi antecedido, em tom semelhante, pelo presidente do Brasil, Jair Bolsonaro. Firmes aliados de Maduro, os russos tentam aliviar a instabilidade venezuelana com generosos empréstimos – sabe-se lá sob quais condições ou taxa de juros – embora se saiba que este credor da Venezuela tenha importantes investimentos em petróleo no país.

Disse Putin à imprensa após a cúpula: “A Rússia apoia de forma consequente todos os órgãos legítimos da Venezuela, incluindo a instituição presidencial e o parlamento”. O russo apoiou as tentativas de diálogo entre Maduro e a oposição. “Consideramos qualquer recusa em dialogar como irracional, prejudicial ao país e uma ameaça ao bem-estar da população”, afirmou Putin ao reforçar também que apoiará o regime de Caracas diante de qualquer tentativa de golpe perpetrada por Washington. O recado já chegou aos ouvidos de Trump.

Enquanto Maduro se refestelava quase inteiro da fartura do Kremlin, seu braço direito percorria as tristes e vazias ruas de Pyongyang – a capital da Coreia do Norte. Entenda-se como braço direito o seu número dois – expressão que também não deve ser maliciosamente interpretada – Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Nacional Constituinte – que dá sustentação política ao presidente venezuelano. Ali, Diosdado empreendeu o que chamou de “delegação de alto nível”, com o intuito de reforçar os laços de amizade e cooperação entre as duas ditaduras “em distintas áreas estratégicas para as duas nações”.

Por trás do bigode de Nicolás Maduro

Governando a Venezuela por decreto – e denunciado por crimes contra a humanidade -, Nicolás Maduro é acusado de promover prisões arbitrárias, assassinatos, coação de opositores e torturas para se manter no poder. Mas não para por aí. Os enteados do presidente venezuelano – filhos de sua esposa Cilia Flores – são suspeitos de desviar mais de US$ 180 milhões para contas secretas na Suíça – investigadas pelos Estados Unidos a partir de delação premiada do ex-banqueiro Matthias Krull, do banco suíço Julius Baer. O executivo alemão – residente no Panamá – é investigado por participar de um esquema de lavagem de mais de US$ 1,2 bilhão desviado da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA), a estatal do petróleo da Venezuela. As investigações ocorrem em colaboração entre Washington e Berna.

Secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), o uruguaio Luis Almagro – a quem Maduro um dia chamou de “lixo humano” – quer levar o ditador à Corte Penal Internacional de Haia. São também atribuídos ao presidente, crimes como fraude eleitoral, corrupção – patrocinada pela empresa brasileira Odebrecht -, o financiamento do terrorismo e também de armas de destruição em massa – este último denunciado pelo Panamá.