Exemplo de sucesso, com ampla divulgação em ‘TED talks’ e redes sociais, a professora Joana D’Arc Félix de Sousa viu caírem por terra esta semana as mentiras que disseminava em suas palestras e entrevistas em programas de televisão sobre a própria biografia.

Conhecida por uma história de superação que deve virar filme, a doutora – que atua como professora de Química na Escola Técnica Professor Carmelino Corrêa Júnior, em Franca, no interior paulista – declarava ter entrado na faculdade aos 14 anos – onde teria se formado aos 17 -, ter trabalhado em Cambridge e possuir formação pela Universidade de Harvard.

Antes de ser desmascarada, a professora foi escolhida como entrevistada do jornalístico “Roda Viva”, da TV Cultura, em abril passado. Mas a emissora observou “inconsistências” e não exibiu o programa. Logo em seguida, o jornal “O Estado de S. Paulo” investigou e descobriu que Joana D’Arc era beneficiária de fake news – que ela mesma criou.

Uma carreira de inconsistências

Para demonstrar sua passagem acadêmica pelos Estados Unidos, a professora apresentou ao jornal um diploma de “Postdoctoral in Organic Chemistry”, com o brasão de Harvard. Dias depois, a Universidade informou que não emite diploma para pós-doutorado. Um erro de grafia em inglês – “oof” em vez de “of” – num diploma de uma prestigiosa universidade norte-americana fez os jornalistas do ‘Estadão’ investigarem mais a fundo com quem estavam lidando, principalmente depois que o professor emérito de Química em Harvard, Richard Hadley Holm, constatou: “O certificado é falso. Essa não é a minha assinatura, eu não era o chefe de departamento naquela época. Eu nunca ouvi falar da professora Sousa”.

Na plataforma Lattes, no entanto, o currículo de Joana destaca o pós-doutorado, cursado entre 1997 e 1999. Consta também do currículo a informação de que a professora recebeu bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Ensino Superior (Capes), órgão do Ministério da Educação. A Capes, no entanto, revela que não há nenhum registro de bolsa em nome dela.

Negra e de origem humilde – o pai trabalhava num curtume -, Joana D’Arc, de 55 anos, já seria um caso de superação, sem precisar recorrer a inverdades. Mas as dezenas de prêmios que alega ter ganho, o sucesso nas palestras e a divulgação pela Globo Filmes da preparação de um filme sobre sua biografia – produzida por Taís Araujo – podem ter se transformado numa grande armadilha.

Diante das evidências, Joana D’Arc reconheceu que o diploma – diferentemente do que declara em suas palestras no YouTube – foi feito para uma “encenação de teatro” e que não concluiu o pós-doutorado. E mais, ela admitiu que nunca trabalhou no laboratório da universidade nem morou na cidade de Cambridge. “Coloquei isso no Lattes, não sei se está certo ou errado.” Em sua defesa, ela acusa o jornal de querer “denegrir” (sic) sua imagem. “Tudo o que foi publicado já está sendo apurado por um advogado ligado ao movimento negro brasileiro porque tenho certeza que ainda estão achando que os negros ainda têm que viver na senzala”, diz a nota da professora.

Musa de TED talks teria mentido sobre seus feitos acadêmicos

O chefe de departamento da época afirmou que nunca ouviu ‘falar da professora Sousa’ (Foto: Reprodução/Facebook)

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Exemplo de sucesso, com ampla divulgação em ‘TED talks’ e redes sociais, a professora Joana D’Arc Félix de Sousa viu caírem por terra esta semana as mentiras que disseminava em suas palestras e entrevistas em programas de televisão sobre a própria biografia.

Conhecida por uma história de superação que deve virar filme, a doutora – que atua como professora de Química na Escola Técnica Professor Carmelino Corrêa Júnior, em Franca, no interior paulista – declarava ter entrado na faculdade aos 14 anos – onde teria se formado aos 17 -, ter trabalhado em Cambridge e possuir formação pela Universidade de Harvard.

Antes de ser desmascarada, a professora foi escolhida como entrevistada do jornalístico “Roda Viva”, da TV Cultura, em abril passado. Mas a emissora observou “inconsistências” e não exibiu o programa. Logo em seguida, o jornal “O Estado de S. Paulo” investigou e descobriu que Joana D’Arc era beneficiária de fake news – que ela mesma criou.

Uma carreira de inconsistências

Para demonstrar sua passagem acadêmica pelos Estados Unidos, a professora apresentou ao jornal um diploma de “Postdoctoral in Organic Chemistry”, com o brasão de Harvard. Dias depois, a Universidade informou que não emite diploma para pós-doutorado. Um erro de grafia em inglês – “oof” em vez de “of” – num diploma de uma prestigiosa universidade norte-americana fez os jornalistas do ‘Estadão’ investigarem mais a fundo com quem estavam lidando, principalmente depois que o professor emérito de Química em Harvard, Richard Hadley Holm, constatou: “O certificado é falso. Essa não é a minha assinatura, eu não era o chefe de departamento naquela época. Eu nunca ouvi falar da professora Sousa”.

Na plataforma Lattes, no entanto, o currículo de Joana destaca o pós-doutorado, cursado entre 1997 e 1999. Consta também do currículo a informação de que a professora recebeu bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Ensino Superior (Capes), órgão do Ministério da Educação. A Capes, no entanto, revela que não há nenhum registro de bolsa em nome dela.

Negra e de origem humilde – o pai trabalhava num curtume -, Joana D’Arc, de 55 anos, já seria um caso de superação, sem precisar recorrer a inverdades. Mas as dezenas de prêmios que alega ter ganho, o sucesso nas palestras e a divulgação pela Globo Filmes da preparação de um filme sobre sua biografia – produzida por Taís Araujo – podem ter se transformado numa grande armadilha.

Diante das evidências, Joana D’Arc reconheceu que o diploma – diferentemente do que declara em suas palestras no YouTube – foi feito para uma “encenação de teatro” e que não concluiu o pós-doutorado. E mais, ela admitiu que nunca trabalhou no laboratório da universidade nem morou na cidade de Cambridge. “Coloquei isso no Lattes, não sei se está certo ou errado.” Em sua defesa, ela acusa o jornal de querer “denegrir” (sic) sua imagem. “Tudo o que foi publicado já está sendo apurado por um advogado ligado ao movimento negro brasileiro porque tenho certeza que ainda estão achando que os negros ainda têm que viver na senzala”, diz a nota da professora.