Editorial do Jornal Terceira Via, 06/02/2013

A Argentina espera – em 20 anos – recuperar na diplomacia o controle sobre as ilhas Malvinas que os ingleses chamam de Falklands. O anúncio foi feito pelo ministro argentino das Relações Exteriores, Héctor Timerman ao jornal The Guardian. Timerman apela para o sentimento anticolonialista que toma conta do mundo para dar força às suas teses.

Ingleses e argentinos sabem que o arquipélago é rico em recursos minerais, como o petróleo, por exemplo. Argentinos e ingleses também reconhecem que os habitantes das ilhas – de origem escocesa – preferem manter a nacionalidade de primeiro mundo. Temas delicados que a truculência militar argentina não levou em conta em 1982.

O conflito armado durou 73 dias – tempo suficiente para que 649 jovens soldados argentinos e 255 ingleses morressem. Outros 500 ex-soldados argentinos, mergulhados em depressão, se suicidaram após a acachapante derrota. Politicamente, o conflito fortaleceu o governo conservador de Margareth Thatcher e apressou a queda da junta militar argentina liderada por Leopoldo Galtieri.

Até às vésperas da guerra – mais precisamente até meados dos anos 70 – havia uma ponte aérea semanal ligando a Argentina ao arquipélago que levava provisões e assistência médica aos insulares. O voo semanal continua – mas agora parte do Chile.

A população das ilhas é de um milhão de pinguins, 600 mil ovelhas e 3.140 pessoas. Os habitantes – os chamados kelpers – são, em sua maioria, descendentes de escoceses e galeses. As Malvinas abrigam sete brasileiros. A Rainha Elizabeth II tem direito de interferir diretamente nos assuntos internos do território. Ela é ali representada pelo governador e diplomata britânico Nigel Haywood.