Por que a foto de Paulo Silvino ilustra essa matéria? Leia para saber.

A propósito do cinquentenário do disco Abbey Road e também do Festival de Woodstock – celebrados este ano em todo o mundo -, pode-se escrever de diversas formas, até mesmo com uma crônica, o surgimento do Rock no Brasil. Lá se vão 64 anos – pois foi precisamente em 1955 – que se gravou em nosso país a primeira canção no estilo criado nos Estados Unidos e consolidado no Reino Unido – impulsionando de forma estratégica e sustentável sua indústria fonográfica. O leitor do Vitrola News, bem sabemos, domina diversos assuntos, mas, possivelmente, não saberia dizer de supetão – e tem somente até o final deste parágrafo para arriscar – quem foi a primeira roqueira brasileira e também qual foi a primeira voz masculina a registrar o ritmo que beira, nestes dias, os 85 anos de existência.

Num primeiro momento, podem surgir em sua memória os nomes de Cely Campello, Tony Campello ou do mineiro de Manhuaçu, Ronnie Cord – ou Ronald Cordovil, como consta em sua certidão de nascimento. Pois saibam todos que foi Nora Ney – que se consagraria depois como uma das maiores intérpretes do samba-canção – a primeira a gravar, em inglês, a música “Rock Around the Clock” – blockbuster de Bill Halley and his Comets.

Dois anos depois – após cantar em inglês nos Estados Unidos usando o pseudônimo de Ron Coby – o niteroiense Cauby Peixoto voltou ao Brasil e gravou o primeiro rock em nosso idioma, Rock and Roll em Copacabana, de autoria de Miguel Gustavo – aquele mesmo de “Pra Frente, Brasil” que embalou a torcida brasileira em copas do mundo. A experiência de Cauby no novo ritmo rendeu a ele o apelido na América de “Elvis Presley Brasileiro”, mas Nora Ney jamais voltaria a gravar a nova tendência.

Pseudônimos famosos, outros nem tanto

Tentando manter o perfil histriônico dessa conversa, vale registrar que o humorista Paulo Silvino – cujo último personagem em TV foi o porteiro Severino, com seu bordão “cara crachá” – flertou com o rock no início da carreira ao interpretar, ao lado de Carlos Imperial, as canções “Calypso Rock” e “Let’s Rock Together”, da trilha sonora do filme “Sherlock de Araque” – uma produção dos estúdios Herbert Richers. Para tanto, Silvino adotou o pseudônimo Dixon Savannah.

Música obrigatória em todas as recepções de casamento que tenhamos frequentado nas últimas décadas, “Whisky a Gogo” – interpretada pelo grupo Roupa Nova – foi um sucesso criado por Ivanilton de Souza Lima. Para quem não está associando o nome à pessoa, melhor irmos direto ao pseudônimo: Michael Sullivan. Como curiosidade, vale o registro de que o cantor, compositor e produtor pernambucano passou por duas das principais bandas de rock dos anos 70: “Renato e Seus Blue Caps” e os “Fevers”. Sullivan traz 1400 canções na bagagem e também o maior prêmio para os compositores de toda América Latina e Península Ibérica: o “Latin Songwriters Hall of Fame”.

Mesmo sem visitar a genial geração dos anos 1980 e lembrando ainda os 30 anos da morte de Raul Seixas, completados esta semana, encerramos essa conversa com outra curiosidade. Muitos anos antes, num apartamento da Rua do Matoso, na Tijuca, na zona Norte do Rio, o “Síndico” Tim Maia ensinou os três primeiros acordes no violão a Erasmo Carlos. E foi assim que o Tremendão – com apenas o Mi, o Lá e o Ré – compôs suas primeiras canções, formando com Roberto Carlos a dupla de sucesso que atravessa décadas na música brasileira.