Na primeira semana de janeiro, o presidente Bolsonaro anunciou intenção de não taxar a energia solar gerada por painéis fotovoltaicos. A decisão leva a matriz ao pódio da geração no país ao mesmo tempo em que causa algumas polêmicas. Por um lado, estimula a instalação de placas voltaicas – uma fonte limpa e livre de impactos ambientais. Por outro, o subsídio de R$ 56 bilhões aos painéis solares virá do aumento da conta de luz dos consumidores. Que fique claro: dos que “consomem” as matrizes hidrelétrica e termelétrica. Um aumento de 4,5% na conta de luz de cada um pelos próximos 15 anos.

Levantamento da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) aponta os benefícios da fonte solar para a economia brasileira. Para cada R$ 1 investido no sistema, o setor devolve R$ 3 em ganhos elétricos, econômicos, sociais e ambientais. Segundo a associação, o segmento criou 92 postos de trabalho por dia em 2019, acumulando mais de 100 mil empregos.

O país fechou 2019 com 1,95 GW de potência instalada via painéis em mais de 70% dos municípios brasileiros. É menos do que 0,7% dos 131,99 GW de toda a geração anual. A expectativa é de que, até 2029, a energia solar atinja 9,72% da matriz energética. Num comparativo, a energia hidrelétrica tem 60,42% de participação, com 95,6 GW gerados. As termelétricas respondem por 26,13%, com 41,3 GW. A eólica, por sua vez, aparece em terceiro, com geração de 12 GW e participação de 7,9%. Com 1,26% de fatia, a energia nuclear produz 12 GW. O país é o 7º maior consumidor de energia do mundo e o maior da América do Sul. Avanços no setor serão sempre bem-vindos.

“É chegada a hora de o Brasil fazer as contas. É preciso estabelecer um marco legal transparente e estável”, avalia o CEO da Absolar. Para Rodrigo Sauaia, 93% dos brasileiros querem gerar energia limpa e renovável em seus telhados. “E o Executivo e o Congresso Nacional se mostraram sintonizados com os anseios deste contingente”, conclui.