Miopia avança como epidemia em todo o planeta

Um defeito na visão que provoca um erro na refração da imagem – tornando difícil enxergar de longe -, a miopia avança com o status de epidemia, afetando cerca de 1,5 bilhão de pessoas, o que equivale a 22% da população mundial. Pesquisas que envolvem instituições como o Centro Nacional de Olhos de Cingapura (Snec, na sigla em inglês) e gigantes da indústria farmacêutica como a Johnson & Johnson Vision, indicam não somente o aspecto genético da doença. Existe também o crescente agravamento do problema por causa do uso de dispositivos eletrônicos como telefones celulares, por exemplo, usados não somente como um instrumento de telefonia, mas como tela de exibição de filmes – elevando exponencialmente o risco de problemas mais graves como cataratas, o descolamento de retina e o glaucoma.

Esta semana, o Snec, a Johnson’s e também o Singapore Eye Research Institute (Seri) anunciaram um esforço conjunto no valor de US$ 26,35 milhões para combater o que chamam de “a maior ameaça à saúde dos olhos neste século”. A parceria pública-privada – a primeira dessa espécie na Ásia com foco na miopia – terá como foco a identificação de pessoas com alto risco de desenvolver a doença e a pesquisa de novas terapias para prevenir o início e a progressão do problema, que afeta não somente a saúde: “A incidência da miopia está aumentando a taxas alarmantes em todo o mundo e, se não houver um controle, o preço humano e financeiro pode disparar nas próximas décadas”, apontou o vice-presidente do Comitê Executivo e diretor científico da Johnson & Johnson, Paul Stoffels.

Existe o consenso – fortalecido pelo aval da Organização Mundial da Saúde (OMS) que, em 2050, metade da população mundial – cerca de cinco bilhões de pessoas – terá dificuldades para enxergar objetos à distância sem a ajuda de óculos e lentes de contato. Há indícios de que é possível prevenir a miopia. Para isso, as crianças devem ser incentivadas a abandonar seus gadgets e passar mais tempo em locais abertos e expostos à luz natural. “Períodos dentro de casa fazendo atividades internas aumentam o risco de miopia”, afirmou a autora de estudo publicado no British Journal of Ophthalmology, em entrevista ao The Guardian, Katie Williams. Ela defende a tese de que – não a genética – mas os hábitos da infância moderna estão favorecendo o aumento do problema em escala planetária.

Com menos espaços livres e muitas áreas urbanas, a Ásia Oriental e Cingapura irão sofrer o maior impacto, com taxas de prevalência beirando os 90%. Em Cingapura, por exemplo, uma em cada duas crianças desenvolve miopia até os 12 anos e 75% dos adolescentes são míopes ou dependem de óculos. Para enfrentar o problema, os sistemas de saúde globais pagam uma conta muito alta que já representa um custo estimado de US$ 202 bilhões por ano.

Por trás dessa lente tem um cara legal

Nos anos 80 do século passado, o guitarrista e cantor Herbert Vianna chegou a compor o hit “Óculos” para se queixar dos contratempos da miopia. Pouco tempo depois, o líder dos Paralamas do Sucesso se submeteu a uma bem-sucedida cirurgia para reverter o problema. Segundo o oftalmologista do Hospital Israelita Albert Einstein, Gabriel Gorgone, a operação é simples, envolve poucos riscos e pode corrigir até 9 graus. Mas alerta que o procedimento só deve ser feito a partir dos 21 anos – “quando geralmente o grau da miopia se estabiliza”.

A cirurgia a laser é feita sem cortes ou sangramento e conta com a anestesia à base de colírios. Portadores de doenças crônicas – como diabetes e hipertensão – podem passar pelo procedimento desde que as taxas destes males estejam sob controle. A volta à rotina de estudo e trabalho pode ocorrer em dois dias.

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