A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acaba de aprovar resolução – já publicada no Diário Oficial – que autoriza a comercialização do medicamento Afrezza. Trata-se da primeira insulina inalável do país. O novo fármaco será oferecido na versão em pó e em três cartuchos com diferentes dosagens. Até então, as insulinas disponíveis no mercado brasileiro eram todas injetáveis.

O novo produto deve demorar alguns meses ara chegar às prateleiras das farmácias. Para a aplicação, o paciente diabético – especialmente o portador do diabetes tipo 1 – deve encaixar o cartucho no inalador e aspirar a substância que, ao chegar ao pulmão é absorvida pela corrente sanguínea. O efeito é o mesmo das aplicações por injeção: tem a função de reduzir os níveis de açúcar no sangue. O uso do medicamento aspirado promove a melhoria da qualidade de vida do paciente, na medida em que reduz a rotina de picadas de agulha.

Vantagens e desvantagens

No entanto, o Afrezza tem limitações e é contraindicado para pacientes menores de 18 anos – uma vez que esta faixa etária não foi observada nas pesquisas – ou para aqueles que apresentam problemas pulmonares, uma vez que a absorção pelo pulmão pode não ser a adequada e a insulina inalável traz a possibilidade de deflagrar crises de asma, com broncoespasmos – especialmente em fumantes.

O novo produto não apresenta ainda todas as opções de dosagens possíveis – estando disponível somente nas versões 4, 8 e 12 unidades – e substituirá somente a insulina de ação rápida ou ultrarrápida, também chamadas de bolus. Em compensação, a nova versão tem algumas vantagens sobre a insulina injetável: não exige refrigeração e é fácil de transportar, apresentando-se como grande solução em caso de viagem, por exemplo.

O preço do medicamento no país ainda não foi definido. Nos Estados Unidos, o Afrezza já é comercializado desde 2015. Lá, a menor dose, de quatro unidades, custa U$ 3,80 – o equivalente a R$ 14,80.