Editoria de Cultura: O pop não poupa ninguém


A ciência e o erudito são do povo como o céu é do avião

No auge de seu sofrimento diante da surdez irrefreável, o compositor Ludwig van Beethoven jamais imaginou que teria uma de suas obras – a bagatela Pour Elise – imortalizada em esperas de telefone no mundo inteiro ou nos caminhões de distribuição de botijões de gás no Brasil. Fato é que a ciência, o erudito e o pop estão trocando tintas numa mistura que nos permite lembrar diariamente deste compositor nascido em Bonn e falecido em Viena há exatos 191 anos.

Esta não é, no entanto, a única perfeita combinação que aproxima o popular da cultura mais hermética. Se no passado, as espécies animais ou vegetais eram classificadas em latim – fazendo referência ao cientista que as estudou ou ao local onde foram encontradas e catalogadas – hoje o pop fala mais alto. Celebridades da música, da televisão ou da política agora emprestam seus nomes para a classificação de espécies até então não estudadas.

Assim surgiu, por exemplo, a mariposa nativa da Califórnia que tem como principal característica um topete louro. O espécime foi batizado de Neopalpa donaldtrumpi, em homenagem ao presidente norte-americano. Uma pequena aranha australiana teve o privilégio de ser classificada com o nome de Pinkfloydia harveii – em referência ao grupo inglês que embalou gerações inteiras nas últimas cinco décadas.

De Beyoncé aos Cavaleiros do Zodíaco

Nem mesmo Beyoncé escapou. Uma abelha – com uma característica física que faz lembrar um dos principais atrativos físicos da cantora americana – recebeu o nome de Scaptia beyonceae. Uma dica, o inseto tem uma cauda com tons de rosa e dourado. Avistar tal abelha é uma lição de Biologia que não se esquece mais.

Talvez seja esta uma das vantagens de jogar ciência e cultura pop no liquidificador. Em seu trabalho de conclusão de curso (TCC) na Universidade Federal de Pernambuco, em Caruaru, o estudante de Administração Jonathan Julian partiu para uma análise inusitada. Ele identificou perfis de liderança nos personagens do anime japonês Cavaleiros do Zodíaco.

O trabalho ‘Me dê seu líder, Pégasus: Um estudo dos perfis de liderança presentes nos Cavaleiros do Zodíaco’ analisa nos personagens Seiya de Pégaso, Shiryu de Dragão, Hyoga de Cisne, Shun de Andrômeda e Ikki de Fênix os modelos de liderança do conceito chamado grade gerencial. “eu sabia que cada um dos personagens tinha diferentes traços de personalidade, mas nunca tinha parado para pensar de forma científica”, confessou Julian.

A ousadia entre a ciência e o popular rendeu bons frutos e ele acabou aprovado com a nota 9,5. Se Beethoven soubesse do sucesso desta combinação entre o popular e o erudito, teria vivido seus últimos dias com mais leveza.

Editoria de Justiça: STF valida artigo do Código de Trânsito que considera crime fuga de local

STF valida artigo do CTB que considera crime fuga de local

Crédito: pexels car

Em sessão na quarta-feira (14), o Supremo Tribunal Federal formou maioria e tornou válido artigo do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) que prevê a detenção de seis meses a um ano ao condutor que deixa o local do acidente “para fugir à responsabilidade penal ou civil que lhe possa ser atribuída”. O dispositivo contraria questionamentos de um motorista do Rio Grande do Sul que alegou que ninguém está obrigado a produzir prova contra si mesmo.

Para o relator, ministro Luiz Fux, a fuga do local do acidente é “absolutamente indefensável”. Na avaliação dele, descriminalizar a conduta vai contra a vontade do parlamento. “A Constituição promete, em nome do povo, uma sociedade justa e solidária. Como que se pode criar uma sociedade justa e solidária admitindo a conduta de quem se afasta do local do acidente para fugir da responsabilidade penal e civil? É absolutamente impossível que uma ordem jurídica não imponha a criminalização desta conduta.”

Já o ministro Alexandre de Moraes afirmou que há uma “verdadeira epidemia” de acidentes de trânsito no país e que o artigo 305 tem por objetivo obrigar que o condutor envolvido no acidente permaneça no local para que autoridades possam apurar o ocorrido. “O fato de o artigo 305 estabelecer uma vedação ao condutor do veículo de se afastar do local do acidente não o obriga ao ficar a ter que confessar uma responsabilidade, ou a ter que abrir mão de seu direito ao silêncio, não obriga a ter de participar de uma reconstituição imediata, a realizar exames obrigatórios. Eles têm a obrigação, como condutores de veículos, de resguardar local dos fatos e aguardar a apuração.” Moraes lembrou que estudos técnicos mostram que a partir da preservação do local do acidente e da análise deste local para apurar o que aconteceu, a prevenção se torna mais fácil.

A ministra Rosa Weber destacou que o artigo 305 do CTB não ofende a Constituição Federal e que “a exigência de permanência do condutor no local do acidente permite sua identificação, facilita a responsabilização penal e civil e apresenta-se como importante fator de solidariedade a incrementar a proteção à vida e integridade física da vida”.

A ministra Cármen Lúcia, por sua vez, entendeu não ser possível considerar inválido o dispositivo por afronta a princípios fundamentais. “Não considero ter havido aqui afronta ao princípio da proporcionalidade e excesso do legislador em face da garantia constitucional que permanece hígida e considerando o princípio da responsabilidade que é de todo cidadão em relação aos outros porque não dá para como se deixar de entender o direito como instrumento de acatamento ao princípio da responsabilidade que é própria da convivência social”.

O ministro Edson Fachin, por sua vez, destacou em seu voto que, em 1981, o Brasil passou a adotar regras estabelecidas por uma convenção de trânsito celebrada em Viena, que trata, entre outros pontos, sobre o comportamento do motorista em caso de acidente: “Como o Brasil internalizou-a, portanto, é lei no Direito interno a ser considerada para a solução dos casos submetidos à prestação jurisdicional”, frisou Fachin.

Já o ministro Luís Roberto Barroso defendeu a existência de um direito penal moderado, mas ressaltou que, “no atual estágio da condição humana, o comportamento ético precisa de um incentivo normativo”. “Eu não me animo a retirar do Código Penal uma norma que acho que dá o incentivo correto às pessoas pararem para socorrer ou permitir a reconstrução do fato, assegurado o direito de permanecer em silêncio para não se auto incriminarem”. Barroso disse ainda que considera o dispositivo compatível com a Constituição, porque fugir após atropelar, causar acidente ou ser parte de um acidente não são condutas compatíveis com o ideal constitucional de uma sociedade justa e solidária.

A constitucionalidade do crime de fuga do local de acidente foi debatida em um recurso extraordinário de relatoria do ministro Luiz Fux, que teve repercussão geral reconhecida, por unanimidade, o que significa que o entendimento firmado pelo STF nesta sessão deverá balizar casos similares.

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Editoria da Saúde: Miopia avança como epidemia em todo o planeta

Miopia avança como epidemia em todo o planeta

Um defeito na visão que provoca um erro na refração da imagem – tornando difícil enxergar de longe -, a miopia avança com o status de epidemia, afetando cerca de 1,5 bilhão de pessoas, o que equivale a 22% da população mundial. Pesquisas que envolvem instituições como o Centro Nacional de Olhos de Cingapura (Snec, na sigla em inglês) e gigantes da indústria farmacêutica como a Johnson & Johnson Vision, indicam não somente o aspecto genético da doença. Existe também o crescente agravamento do problema por causa do uso de dispositivos eletrônicos como telefones celulares, por exemplo, usados não somente como um instrumento de telefonia, mas como tela de exibição de filmes – elevando exponencialmente o risco de problemas mais graves como cataratas, o descolamento de retina e o glaucoma.

Esta semana, o Snec, a Johnson’s e também o Singapore Eye Research Institute (Seri) anunciaram um esforço conjunto no valor de US$ 26,35 milhões para combater o que chamam de “a maior ameaça à saúde dos olhos neste século”. A parceria pública-privada – a primeira dessa espécie na Ásia com foco na miopia – terá como foco a identificação de pessoas com alto risco de desenvolver a doença e a pesquisa de novas terapias para prevenir o início e a progressão do problema, que afeta não somente a saúde: “A incidência da miopia está aumentando a taxas alarmantes em todo o mundo e, se não houver um controle, o preço humano e financeiro pode disparar nas próximas décadas”, apontou o vice-presidente do Comitê Executivo e diretor científico da Johnson & Johnson, Paul Stoffels.

Existe o consenso – fortalecido pelo aval da Organização Mundial da Saúde (OMS) que, em 2050, metade da população mundial – cerca de cinco bilhões de pessoas – terá dificuldades para enxergar objetos à distância sem a ajuda de óculos e lentes de contato. Há indícios de que é possível prevenir a miopia. Para isso, as crianças devem ser incentivadas a abandonar seus gadgets e passar mais tempo em locais abertos e expostos à luz natural. “Períodos dentro de casa fazendo atividades internas aumentam o risco de miopia”, afirmou a autora de estudo publicado no British Journal of Ophthalmology, em entrevista ao The Guardian, Katie Williams. Ela defende a tese de que – não a genética – mas os hábitos da infância moderna estão favorecendo o aumento do problema em escala planetária.

Com menos espaços livres e muitas áreas urbanas, a Ásia Oriental e Cingapura irão sofrer o maior impacto, com taxas de prevalência beirando os 90%. Em Cingapura, por exemplo, uma em cada duas crianças desenvolve miopia até os 12 anos e 75% dos adolescentes são míopes ou dependem de óculos. Para enfrentar o problema, os sistemas de saúde globais pagam uma conta muito alta que já representa um custo estimado de US$ 202 bilhões por ano.

Por trás dessa lente tem um cara legal

Nos anos 80 do século passado, o guitarrista e cantor Herbert Vianna chegou a compor o hit “Óculos” para se queixar dos contratempos da miopia. Pouco tempo depois, o líder dos Paralamas do Sucesso se submeteu a uma bem-sucedida cirurgia para reverter o problema. Segundo o oftalmologista do Hospital Israelita Albert Einstein, Gabriel Gorgone, a operação é simples, envolve poucos riscos e pode corrigir até 9 graus. Mas alerta que o procedimento só deve ser feito a partir dos 21 anos – “quando geralmente o grau da miopia se estabiliza”.

A cirurgia a laser é feita sem cortes ou sangramento e conta com a anestesia à base de colírios. Portadores de doenças crônicas – como diabetes e hipertensão – podem passar pelo procedimento desde que as taxas destes males estejam sob controle. A volta à rotina de estudo e trabalho pode ocorrer em dois dias.

Ou leia no site Opinião e Notícia: http://opiniaoenoticia.com.br/noticia/miopia-avanca-como-epidemia-em-todo-o-planeta/