Não foi só o futebol que azedou as relações entre Brasil e Bolívia

Editorial do Jornal Terceira Via em 26/02/2013

Se no âmbito diplomático as relações entre Brasil e Bolívia não são grande coisa, imagine agora depois do episódio envolvendo a torcida do Corinthians que resultou na morte do menino Kevin Espada, atingido por um foguete sinalizador durante o jogo San José x Corinthians, pela Libertadores.

Uma certa tensão entre Brasília e La Paz – embora Sucre seja a capital – começou no dia 28 de maio de 2012 quando o senador de oposição Roger Pinto pediu asilo político à embaixada brasileira alegando que sofria perseguição política e temia ser assassinado. Asilo concedido pela presidente Dilma Rousseff, e se fez o impasse. Impossibilitado de resgatar Roger Pinto nos domínios da embaixada brasileira, o governo daquele país não concede salvo-conduto a quem entregou – pessoalmente ao presidente Evo Morales – documentos que denunciam o envolvimento de dois altos funcionários do governo com o narcotráfico. Entre os acusados está o ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, que teria estreitas ligações com o traficante Maximiliano Munhos Filho – que cumpre pena no presídio de segurança máxima em Catanduvas, no Paraná. Desde então, Roger Pinto vive “preso” em território brasileiro mas dentro de seu próprio país.

Segundo a ONU, os cultivos de coca na Bolívia aumentaram de 25,4 mil a 31 mil hectares desde que Morales chegou ao poder. Maior fornecedor de drogas ao Brasil, a Bolívia é o terceiro produtor mundial de coca e cocaína, depois de Colômbia e Peru.

De volta ao lamentável caso do jogo da Libertadores, surge o menor H. A. M. de 17 anos, como o autor do disparo. Ele está a poucos meses de completar a maioridade. Descoberto o verdadeiro autor, em plena cidade de São Paulo, supõe-se que, em breve, estariam livres os doze corintianos presos na Bolívia. Entre os detidos está o futuro presidente da organizada, Tadeu Macedo de Andrade, de 30 anos.

Resta saber se a Bolívia vai colocar na balança o conflito anterior ou se vai sair de mãos abanando nos dois episódios.

Mais um serviço da Clio: Media training e Palestras

Oferecemos palestras sobre temas relacionados à atuação da Clio (geração de conteúdo e assessoria de imprensa), em qualquer lugar do Brasil, com apresentação personalizada para cada público.

Malvinas ou Falklands?

Editorial do Jornal Terceira Via, 06/02/2013

A Argentina espera – em 20 anos – recuperar na diplomacia o controle sobre as ilhas Malvinas que os ingleses chamam de Falklands. O anúncio foi feito pelo ministro argentino das Relações Exteriores, Héctor Timerman ao jornal The Guardian. Timerman apela para o sentimento anticolonialista que toma conta do mundo para dar força às suas teses.

Ingleses e argentinos sabem que o arquipélago é rico em recursos minerais, como o petróleo, por exemplo. Argentinos e ingleses também reconhecem que os habitantes das ilhas – de origem escocesa – preferem manter a nacionalidade de primeiro mundo. Temas delicados que a truculência militar argentina não levou em conta em 1982.

O conflito armado durou 73 dias – tempo suficiente para que 649 jovens soldados argentinos e 255 ingleses morressem. Outros 500 ex-soldados argentinos, mergulhados em depressão, se suicidaram após a acachapante derrota. Politicamente, o conflito fortaleceu o governo conservador de Margareth Thatcher e apressou a queda da junta militar argentina liderada por Leopoldo Galtieri.

Até às vésperas da guerra – mais precisamente até meados dos anos 70 – havia uma ponte aérea semanal ligando a Argentina ao arquipélago que levava provisões e assistência médica aos insulares. O voo semanal continua – mas agora parte do Chile.

A população das ilhas é de um milhão de pinguins, 600 mil ovelhas e 3.140 pessoas. Os habitantes – os chamados kelpers – são, em sua maioria, descendentes de escoceses e galeses. As Malvinas abrigam sete brasileiros. A Rainha Elizabeth II tem direito de interferir diretamente nos assuntos internos do território. Ela é ali representada pelo governador e diplomata britânico Nigel Haywood.

Mais um serviço da Clio: Assessoria de imprensa

A sua história pode virar notícia. Essa é a função da assessoria de imprensa. Hoje, é uma das ferramentas mais poderosas de um plano de comunicação. A geração de mídia espontânea traz credibilidade e força à sua marca. Atuamos em todas as etapas deste serviço: planejamento, identificação de fatos relevantes, geração de notícia, redação de press release, produção de press kits, relacionamento com a imprensa, apoio em eventos e entrevistas, follow-up com os veículos e jornalistas, acompanhamento de resultados via clipping, geração de relatórios.

Esquecimento das tragédias recentes é Alzheimer social

Editorial do Jornal Terceira Via, 05/02/2013

Dizem que a imprensa não vive sem uma desgraça. Na verdade, a grande tragédia nacional é nossa falta de memória. O incêndio na boate em Santa Maria, por exemplo, fez os fluminenses esquecerem por completo um triste e recente episódio. Se a lembrança do leitor não se iluminou, talvez ajude a imagem de Zeca Pagodinho num quadriciclo fazendo o que as autoridades não fizeram na enchente em Xerém.

O distrito localizado em Duque de Caxias praticamente caiu no esquecimento depois do fato ocorrido na boate Kiss. Santa Maria, por sua vez, vai perder espaço para um evento que apaga e entorpece corações e mentes: o carnaval. Sem querer agourar e batendo três vezes na madeira, outros acidentes e escândalos logo virão para abastecer novos conteúdos da imprensa e apagar a memória recente de todos nós – serão crimes bárbaros, desastres, corrupção, incêndios ou desabamentos. Vivemos um Alzheimer social.

Quando poderosos não são punidos por seus malfeitos e até mesmo conquistam mais poder, a mensagem é absorvida rapidamente e repercute na sociedade causando uma sensação geral de desrespeito à lei e desprezo pelo próximo – a sociedade fica doente. É a história de Ouroboros – a cobra que come a própria cauda. Donos de boates passam a acreditar que tudo podem. Fiscais se corrompem. Torcedores trucidam pessoas que usam a camisa de outro time. Mijões se multiplicam nos dias de folia. Estacionam-se nas calçadas, joga-se lixo na rua. Autoridades perdem o que lhes resta de compostura. Pode tudo.

Está escrito no início do texto: a grande tragédia nacional é nossa falta de memória. Não nos esqueçamos disso!

Mais um serviço da Clio: Conteúdo para publicações impressas e corporativas

Em projetos editoriais – como guias para consulta, livros e relatórios anuais – oferecemos o conteúdo adequado ao orçamento e ao estilo da sua empresa. Trabalhamos de várias formas: definição de temas e redação completa; edição e adaptação de textos; orientação textual e criativa com base em conteúdo oferecido pelo cliente; revisão.