Ibre/FGV: Abertura comercial e tarifa de importação no Brasil

A revista Conjuntura Econômica da edição de agosto mostra o panorama do processo de liberalização das tarifas de importação no Brasil desde reformas tarifárias da década de 1990. O debate chega às negociações da Rodada de Doha, em 2001 — paralisada até o momento. A média da tarifa de importação de produtos industriais do Brasil é alta comparada com os outros países em desenvolvimento.

Desde os anos 1990, as tarifas máximas de importações no Brasil decaíram — de 100% para 40%, em 1994, e logo após para a faixa dos 20% após a pressão dos países membros do Mercosul para uma taxa externa comum de importação entre eles. Lia Valls Pereira, coordenadora do Centro de Estudos do Setor Externo do IBRE/FGV, analisa a abertura comercial do Brasil e dos demais países, e compara o nível de protecionismo entre eles. Será que o Brasil pode ser considerado uma economia fechada no ponto de vista do comércio de mercadorias?

Para Lia, a mera liberalização comercial não promove crescimento econômico. E destaca: um ambiente de elevada proteção inibe a competição e a busca por eficiência das empresas. Fato que deve ser observado já que o Brasil — levando-se em conta um conjunto de países em desenvolvimento —, está entre os que oferecem mais proteção a seus produtos.

Leia o artigo na íntegra na próxima edição de Conjuntura Econômica.

Ibre/FGV: IGP-M sofre desaceleração em julho

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) variou 0,15% em julho. Em junho, o índice variou 0,85%. O IGP-M é calculado com base nos preços coletados entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês de referência.

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) apresentou taxa de variação de 0,20%. No mês anterior, a taxa foi de 1,09%. O índice relativo aos Bens Finais variou -0,34%, em julho. Em junho, este grupo de produtos mostrou variação de -0,42%. Contribuiu para a aceleração o subgrupo alimentos processados, cuja taxa de variação passou de -2,48% para -0,30%. Excluindo-se os subgrupos alimentos in natura e combustíveis, o índice de Bens Finais (ex) registrou variação de -0,01%. Em junho, a taxa foi de -0,48%.

O índice referente ao grupo Bens Intermediários variou 0,01%. Em junho, a taxa foi de 0,80%. O subgrupo materiais e componentes para a manufatura registrou decréscimo em sua taxa de variação, que passou de 0,78% para -0,15%, sendo o principal responsável pela desaceleração do grupo. O índice de Bens Intermediários (ex), calculado após a exclusão do subgrupo combustíveis e lubrificantes para a produção, variou 0,01%, ante 0,78%, em junho.

No estágio inicial da produção, o índice de Matérias-Primas Brutas variou 1,22%, em julho. No mês anterior, o índice registrou variação de 3,67%. Os itens minério de ferro (23,05% para 2,48%), leite in natura (1,66% para -5,97%) e milho (em grão) (3,00% para -3,49%) foram os principais responsáveis pela desaceleração do grupo. Ao mesmo tempo, registraram-se acelerações em itens como: cana-de-açúcar (-3,42% para 0,58%), aves (-1,46% para 4,05%) e bovinos (-0,20% para 1,99%).

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) apresentou variação de -0,17%, em julho. No mês anterior, a variação foi de -0,18%. Quatro das sete classes de despesa componentes do índice registraram avanços em suas taxas de variação: Despesas Diversas (0,44% para 0,85%), Alimentação (-1,36% para -1,05%), Transportes (-0,17% para -0,06%) e Saúde e Cuidados Pessoais (0,46% para 0,54%). Nestes grupos, os destaques foram os itens: cigarro (1,73% para 2,68%), frutas (-0,56% para 1,33%), álcool combustível (-6,35% para -1,39%) e artigos de higiene e cuidado pessoal (0,34% para 0,78%), respectivamente.

Em contrapartida, os grupos Vestuário (0,93% para -0,28%), Educação, Leitura e Recreação (0,10% para -0,13%) e Habitação (0,40% para 0,23%) apresentaram desaceleração. Nestas classes de despesa, as maiores contribuições partiram dos itens: roupas (0,94% para -0,29%), passagem aérea (6,47% para -6,28%) e tarifa de eletricidade residencial (1,24% para 0,46%), respectivamente.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) registrou, em julho, variação de 0,62%, abaixo do resultado do mês anterior, de 1,77%. Os três grupos componentes do índice apresentaram decréscimos em suas taxas de variação: Materiais e Equipamentos, de 1,04% para 0,53%, Serviços, de 0,92%, para 0,27% e Mão de Obra, de 2,59% para 0,77%.

Ibre/FGV: Confiança da indústria cai em julho

O Índice de Confiança da Indústria (ICI) da Fundação Getulio Vargas reduziu-se em 1,5% entre junho e julho de 2010, ao passar de 115,3 para 113,6 pontos, considerando-se dados com ajuste sazonal.

Esta foi a segunda redução consecutiva do ICI, sinalizando desaceleração do ritmo de atividade no setor industrial. Com o resultado de julho, o índice retorna ao nível de janeiro deste ano e fica próximo do patamar de julho de 2008, período anterior à crise financeira internacional.

Em julho de 2010, o Índice da Situação Atual (ISA) recuou 2,2%, para 116,7 pontos, o menor nível desde fevereiro de 2010 (113,4 pontos). A média do trimestre maio-julho de 2010 de 118,4 pontos é ainda elevada em termos históricos, sendo comparável à do período entre julho de 2007 e junho de 2008. O Índice de Expectativas (IE) reduziu-se em 0,8%, ao passar de 111,3 para 110,4 pontos, o menor desde outubro de 2009 (109,0 pontos). O índice agora encontra-se 6,7% abaixo do ponto máximo registrado este ano, de 118,3 pontos, em fevereiro.

Todos os quesitos integrantes do ISA apresentaram resultados menos favoráveis este mês, com destaque para o indicador de satisfação com o nível da demanda, que recuou 4,0% em relação ao mês anterior. A evolução decorreu da diminuição da parcela de empresas que consideram o nível de demanda atual como forte, de 28,5% para 25,8%; e do aumento da proporção das que o avaliam como fraco, de 7,6% para 9,7%.

O quesito que mede as expectativas em relação ao ambiente dos negócios nos seis meses seguintes foi o único com evolução favorável entre os que integram o IE: das 1.147 empresas consultadas, 54,7% esperam melhora da situação dos negócios no semestre julho-dezembro e 0,7%, piora, o menor percentual da série. Em junho, estes percentuais haviam sido de 54,8% e 2,0%, respectivamente.

O Nível de Utilização da capacidade instalada da indústria (NUCI) diminuiu de 85,5% para 85,1% entre junho e julho, retornando ao patamar de abril de 2010. A média do trimestre maio-julho de 2010, de 85,2%, é inferior à média dos doze meses anteriores à crise, de 85,8%, e superior à média histórica desde janeiro de 2003 (83,1%).

Ibre/FGV: INCC-M desacelera em julho

O Índice Nacional de Custo da Construção – M (INCC-M) registrou, em julho, taxa de variação de 0,62%, abaixo do resultado do mês anterior, de 1,77%. No ano, o índice acumula variação de 5,95% e nos últimos 12 meses, a taxa registrada é de 6,57%. O INCC-M é calculado com base nos preços coletados entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês de referência. O índice relativo a Materiais, Equipamentos e Serviços registrou variação de 0,48%. No mês anterior, a taxa havia sido de 1,02%. No índice referente a Mão de Obra, registrou-se variação de 0,77%. No mês de junho, a taxa foi de 2,59%.

Materiais, Equipamentos e Serviços

No grupo Materiais, Equipamentos e Serviços, o índice correspondente a Materiais e Equipamentos registrou variação de 0,53%. No mês anterior, a taxa havia sido de 1,04%. Os quatro subgrupos apresentaram decréscimos em suas taxas de variação, com destaque para materiais para estrutura, cuja taxa passou de 1,60% para 0,72%. Contribuiu também para o recuo da taxa do índice o subgrupo equipamentos para transporte de pessoas (0,67% para 0,44%).

A parcela relativa a Serviços passou de uma taxa de 0,92%, em junho, para 0,27%, em julho. Neste grupo, vale destacar a desaceleração do subgrupo serviços técnicos, cuja taxa passou de 1,57% para 0,36%.

Mão de obra

O grupo Mão de Obra registrou variação de 0,77%, em julho. No mês passado, a taxa havia sido de 2,59%. Em Porto Alegre, este grupo registrou variação de 4,24%, por conta de reajustes salariais ocorridos em função da data base. No mês anterior, a taxa foi de 0,07%. Em Brasília, a taxa passou de 4,96% em junho, época da data base, para 2,47%, em julho.

Capitais

Cinco capitais apresentaram desaceleração: Salvador, Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo. Em sentido oposto, Recife e Porto Alegre tiveram aceleração.

Orçamento doméstico: economista André Braz, do Ibre/FGV, dá dicas de finanças pessoais para moradora da comunidade Santa Marta, no Rio

No programa Globo Repórter, da TV Globo, exibido em 23/07/10.

Assista no link http://g1.globo.com/globo-reporter/

Blog do Refri: Guaraná Antarctica patrocina reality show

Busão do Brasil começa em 23/07 mas entra no ar dia 30

O Guaraná Antarctica patrocina o Busão do Brasil, primeiro reality show transmitido pela Rede Bandeirantes de Televisão. O programa estreia na sexta-feira (30 de julho) e vai mostrar durante três meses o dia a dia da disputa entre 12 jovens que vão percorrer 16 cidades brasileiras dentro de um ônibus adaptado. O vencedor que resistir a essa maratona vai receber o prêmio de R$ 1 milhão. O apresentador do Busão do Brasil será Edgard Piccoli.

Leia mais no Blog do Refri: blogdorefri.blogspot.com

Economia subterrânea no Brasil atinge R$ 578 bilhões em 2009, revela índice divulgado pela FGV e ETCO

O Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO) e o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) divulgaram em 21/07, em São Paulo, o novo Índice da Economia Subterrânea, que compreende toda a produção de bens e serviços deliberadamente não reportada aos governos. Graças ao aperfeiçoamento do índice, obtido a partir da inclusão de nova metodologia de apuração pela FGV, foi possível, pela primeira vez, conhecer o tamanho da economia subterrânea: R$ 578 bilhões em 2009, o que corresponde a 18,4% do PIB brasileiro.

“A nova forma de mensuração é, na realidade, uma evolução natural e necessária do índice e o torna muito mais preciso, ainda que, por conta da própria característica da matéria estudada, seja obtido em forma de estimativa”, explica Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador do Ibre/FGV e responsável pelo estudo. Para ele, a obtenção desta estimativa é um excepcional avanço e responde a uma das principais questões, ou seja, medir o quanto se produz na economia subterrânea brasileira e comparar isso com outros indicadores, obtendo-se uma ordem de grandeza concreta.

O número não deixa dúvidas quanto à dimensão atingida pela atividade subterrânea no Brasil. “Estamos falando de quase R$ 600 bilhões, que ficam à margem da economia formal brasileira. Para dar uma idéia da gravidade desse problema, basta lembrar que a economia subterrânea do Brasil supera toda a economia da Argentina”, ressalta André Franco Montoro Filho, diretor executivo do ETCO. Ele acredita que esse valor chamará mais atenção da opinião pública para o assunto e abrirá ainda mais espaço para a discussão sobre suas conseqüências para o País.

O estudo permite ainda que seja feita a comparação dos valores desde o ano de 2003, quando foi iniciada a série de estimativas do índice. No período, os valores absolutos passaram de R$ 357 bilhões para os atuais R$ 578 bilhões. Como o PIB teve um crescimento de R$ 1.700 bilhões para R$ 3.143 bilhões, porcentualmente observa-se uma queda na comparação, de 21% para 18,4% em seis anos.

A informalidade, além de suas relações com o crime organizado e de precarizar as condições de trabalho, traz prejuízos diretos para a sociedade, cria um ambiente de transgressão, estimula o comportamento oportunista com queda na qualidade do investimento e redução do potencial de crescimento da economia brasileira. Além disso, provoca a redução de recursos governamentais destinados a programas de educação, saúde e infraestrutura.

Um tributo à cozinha

Por Claudio Carneiro

Os críticos de música costumam dizer que a percussão é a cozinha de uma banda. Mas como “chefs” espetaculares como Jamie Oliver, Alex Atala e Claude Troisgros conquistaram fortuna e seus próprios programas de televisão é provável que este seja mesmo o cômodo mais importante de uma “casa”. Partindo desse raciocínio, e já que estamos na Copa (desculpe a piada sem graça!), vamos direto pra cozinha, reduto dos homenageados do dia.

Primeiro cozinheiro. Robertinho Silva nasceu em 1941 – não façam as contas, pois a vitalidade e juventude do cara derrubam esse papo de idade. Outro dia, tive a oportunidade de tietar meu ídolo numa rua do bairro carioca de Botafogo. Ele esperava uma carona de amigos e eu, o taxi. Não resisti e disse: ”o maior baterista do Brasil!”. Ele abriu um sorriso. A conversa rolou na hora. Desprezei o taxi. A carona dele, felizmente, não veio. Robertinho já tocou com Milton Nascimento, João Donato, Ivan Lins, Egberto Gismonti, Wayne Shorter, Sarah Vaughan e George Duke, só pra citar alguns. Ele me disse que, aos poucos, está passando a batuta, ou melhor, as baquetas, para os filhos. São quatro. Eles formam o “Robertinho Silva e Família” – confira o site dele: http://www.espacomusicalrobertinhosilva.com . Figura muito simpática.

Em seguida, um senhor calvo e elegante – que passaria facilmente por um político ou, quem sabe, um cientista – que veio ao mundo pra fazer barulho mas – diferente das vuvuzelas – com ritmo e competência. Quem nunca ouviu falar em Ray Cooper que me perdoe, mas é bola fora em percussão. Pois este súdito da Rainha da Inglaterra, nascido um ano depois de Robertinho, tem um currículo de fazer inveja. Os mais velhos – que ouviram artistas como America, Carly Simon, Wings, George Harrison e Ringo Starr – fiquem sabendo: já ouviram muito o Ray Cooper. Quem preferia artistas mais “pop” ainda, no estilo Sting, Pink Floyd, Eric Clapton e Mark Knopfler, também não escapou. Quem assistiu ao concerto “Music for Montserrat” deve ter visto um “senhorzinho”, muito feliz, tirando som de tamboretes e de tudo mais que passasse por suas mãos. Cooper também atuou como ator. Lembra do padre do filme “Popeye”? Pois é.

Para terminar, e aproveitando que Gana ainda está na Copa, vamos falar do ganês Reebop Kwaku Baah – que cuidava dos quitutes e temperos musicais da banda inglesa Traffic. Apesar de ser o caçula entre os personagens deste texto – nasceu em 44 – Reebop morreu prematuramente, vítima de um AVC, quando participava de um show de Jimmy Cliff na Suécia, em ’83. Além da banda dos geniais Steve Winwood e Jim Capaldi, Reebop emprestou seus inconfundíveis atabaques para Eric Clapton, Pete Townshend e também para um grupo “que promete” chamado Rolling Stones.

Fazia tempo que queria falar sobre esses caras que encontraram o sucesso, mesmo buscando o modo mais discreto de alcançá-lo. Esse é um tributo que pago a essas três feras. Tenho o dito.

Leia este e outros artigos de Claudio Carneiro no http://vitrolanews.blogspot.com/.

Estudo da FGV: morador do Alemão vê saúde pior e educação melhor na comparação com carioca da Zona Sul

O morador do Complexo do Alemão dá pontuação 41 para os postos de saúde e 29 para os hospitais públicos contra as notas 52 e 38 dadas pelo morador da zona Sul, Barra da Tijuca e Santa Tereza (batizada de Zona “B” na pesquisa) para os mesmos itens. Porém, de um modo geral, a saúde na cidade vai mal, segundo a pesquisa – resultante de 1.100 entrevistas feitas entre 05/09/2009 e 10/05/2010 – revelando ainda que a avaliação das escolas públicas foi melhor no Alemão (59) do que entre os moradores da zona Sul, Barra da Tijuca e Santa Tereza (55).

Fruto de parceria entre o Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV) e o Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC/FGV), o estudo “Índice de Percepção da Presença do Estado” revela a avaliação que o carioca faz de sua percepção de Educação, Saúde, Infraestrutura Básica, Transporte e Ambiente de Convivência – IPPE Serviços Públicos – que complementa a primeira parte da pesquisa (divulgada no dia 7 de junho) que retratou o IPPE Cidadania avaliando a percepção de inclusão, de justiça, segurança pública, universalismo e igualdade.

A pesquisa demonstrou, por exemplo, numa pontuação de zero a 100 – que o morador do Complexo do Alemão dá melhor nota (46) para a pavimentação das ruas que tem perto de casa que a avaliação (38) do morador das zonas Norte, Oeste e Central (Zona “A”). Para o pesquisador Fernando de Holanda Barbosa Filho, a avaliação dos serviços de transporte – 52 no Alemão, 55 nas zonas Norte, Oeste e Central e 63 na zona Sul, Barra da Tijuca e Santa Tereza mostra que “não existe uma cidade partida entre o asfalto e a favela, mas várias cidades dentro da mesma”.

O carioca fez uma avaliação acima da média para a distribuição de água que obteve as notas 74 (zona “B”), 62 (zona “A”) e 53 (Complexo do Alemão). A coleta de lixo recebeu pontuação de 73, 74 e 58 respectivamente. Já a distribuição de energia recebeu avaliações 65, 64 e 62. Os dados anexados revelam ainda a avaliação sobre disponibilidade de espaços de lazer, iluminação pública e ruas e avenidas de conexão.