Notícia ou informação?

A notícia que vem dos classificados

 

Por Claudio Carneiro

Poucos sabem ou nunca se deram conta da diferença entre notícia e informação. Um professor demora uma aula inteira para explicar e definir os dois conceitos a seus alunos do curso de jornalismo. Bastaria dizer – e todo mundo entenderia – que o conteúdo escrito na bula de remédios ou no catálogo das Páginas Amarelas é mera informação. Não existe um pingo de notícia ali. Por outro lado, quando a informação recebe um banho de loja – ou ganha algum charme – pode até ganhar as manchetes. Até mesmo em determinadas páginas de jornal não existe notícia. Basta folhear as incontáveis folhas dos classificados de domingo. À primeira vista, ali não existe notícia.

Um olhar mais atento pode interpretar, no entanto, a rotina de uma cidade, um povo ou mesmo de uma época. Fundado em 1827, o Jornal do Commercio, por exemplo, exibia naqueles anos – de império e escravidão – anúncios classificados vendendo negras peitudas e boas leiteiras. Já o Correio Paulistano publicou, ainda em 1880 – poucos anos antes da abolição – que o escravo Teodoro, “pardo, de bons dentes, acostumado a lidar com “animaes”, que lê números e faz contas de memória” estava foragido.

É também pelos classificados que é possível avaliar o aquecimento do mercado imobiliário, a variação de preços entre carros novos e usados e até onde vai a credulidade de alguns. Anúncio publicado esta semana em O Globo oferece “trabalhos para afastar vícios, doenças misteriosas, falência, filhos problemáticos, impotência, depressão, insônia, trazer a pessoa amada de volta” etc. Quando os sequestros andaram em alta, foi pelos classificados que criminosos e parentes das vítimas trocaram avisos e informações. Em outro tijolinho, o detetive Geraldo exibe a própria foto e promete investigações sigilosas nos âmbitos empresarial e conjugal. É ainda nessas páginas que as promessas aos santos são pagas, que se buscam oportunidades no mercado e que se publicam abandonos de emprego para fins legais.

Em O Estado de S. Paulo, o número de colunas de pequenos anúncios dedicados aos serviços de blindagem de automóveis revela o quanto esse negócio está se tornando lucrativo na maior cidade do país. No mesmo caderno, mais um sinal de que a violência também traz oportunidades: alguém compra joias, relógios e brilhantes. Basta ligar para o número de telefone que aparece no tijolinho do jornal.

Anunciantes respondem pelo conteúdo

 

Dentro desse mercado persa abrigado pelos classificados, os jornais alertam os leitores ao mesmo tempo em que se protegem. Eles avisam que não se responsabilizam pela procedência dos anúncios tampouco pela veracidade dos conteúdos ou sequer por eventuais prejuízos deles decorrentes.

Segundo a advogada Ana Maria Cavalcanti não cabe ao jornal a responsabilidade pelo conteúdo anunciado e sim ao anunciante. Para ela, o veículo tem o direito de se preservar, responsabilizando-se apenas pelo espaço editorial: “Os tribunais de Justiça costumam ter a mesma postura. As indenizações por danos morais – motivadas por erro de informação (preço, data etc) – cabem a quem produz o anúncio, no caso, o anunciante”, afirma.

Paola Fort, que vai morar três anos na Índia com o marido e as filhas, revela que até propostas de casamento estão nos diários indianos: “As famílias de lá compram espaço nos classificados de jornais importantes e publicam informações sobre seus filhos, grau de instrução, casta e dote. A busca, geralmente, é por alguém da mesma casta ou condição social superior. É uma prática muito comum o anúncio classificado para este fim”, comenta.

Leia este e outros artigos do jornalista Claudio Carneiro no site www.opiniaoenoticia.com.br

Filmes publicitários relacionados ao mercado de refrigerantes

Confira no Blog do Refri  filmes publicitários que marcaram época, com seleção do crítico de cinema Paulo Peres.

Acesse: http://blogdorefri.blogspot.com/

Matéria do RJ TV, da TV Globo, sobre pesquisa da FGV.

Assista o vídeo com a matéria sobre como o Rio vê a presença do Estado neste link: http://g1.globo.com/videos/rio-de-janeiro/v/pesquisa-da-fgv-mostra-como-o-rio-ve-a-presenca-do-estado/1278431/#/RJTV%202/20100607/page/1

FGV avalia índice de percepção da presença do Estado no “asfalto” e comunidades do Rio

A Justiça não tem boa avaliação dos que vivem no “asfalto” enquanto que os moradores de comunidades como o Complexo do Alemão não se sentem bem tratados pela Polícia. Estas são algumas das conclusões do estudo inédito que mede a percepção da presença do Estado na sociedade carioca. Fruto de parceria entre o Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV) e o Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC/FGV), a pesquisa revelou a avaliação que o carioca faz de sua percepção de inclusão, de justiça, segurança pública, universalismo e igualdade.

A pesquisa é resultante de 1.100 entrevistas feitas entre 05/09/2009 e 10/05/2010, no Complexo do Alemão – representando as comunidades no estudo – e também nas zonas Norte, Oeste (exceto Barra da Tijuca) e Central (exceto Santa Teresa) – classificadas como Zona A – e ainda na Zona B – que contempla a Zona Sul, Barra e Santa Teresa. O levantamento revela, por exemplo, que o morador da zona B atribui 70 pontos – de zero a 100 – para o tratamento que recebe da polícia enquanto que o morador do Complexo do Alemão – que representa as comunidades nesta pesquisa – avalia como ruim (26 pontos) o atendimento que recebe dos policiais. Moradores do Alemão e também os do asfalto (zonas A e B) não acham que a lei e a Justiça protegem a todos igualmente e atribuíram 26, 15 e 13 pontos, respectivamente, para este item. “A justiça tem uma avaliação ruim nos diferentes pontos da cidade, independente da região pesquisada”, afirmou o pesquisador Fernando Holanda Barbosa Filho, do Ibre.

Ainda no capítulo dedicado a componentes de inclusão, foram os moradores do Alemão que deram maior pontuação (51) para a percepção de que todas as pessoas – de comunidades ou do asfalto – têm oportunidades iguais no Brasil. Sobre esse assunto, moradores da zona A atribuíram 34 pontos e os da zona B, 23 pontos.

Em contrapartida, o morador do Alemão dá 68 pontos para sua liberdade de ir e vir, contrastando com os que vivem no “asfalto” (40 pontos) para este mesmo direito. “Este foi um dos aspectos que mais nos surpreendeu. Mas é preocupante que o carioca – não importa onde viva – demonstra grande temor em sofrer algum tipo de violência, assalto ou agressão” ressaltou o pesquisador do CPDOC Marcelo Simas. Coincidentemente, moradores do Alemão e do “asfalto” atribuem boa pontuação – 87 e 85 respectivamente – para a liberdade de votar no político que desejarem. No capítulo dedicado às minorias, os diferentes grupos deram pontuação idêntica (69) para a percepção de igualdade entre homens e mulheres. A percepção de igualdade racial recebeu 51 pontos dos moradores do “asfalto” e 55 dos que vivem em comunidade.

Pesquisa da FGV: preços para o Dia dos Namorados em sete capitais

Dia dos Namorados em sete capitais: Celular está entre os presentes em maior queda de preço, diz FGV

O telefone celular está entre os itens que apresentaram maior queda de preço nos últimos doze meses e pode ser uma boa opção de presente para o dia dos namorados que se aproxima. No levantamento feito pelo economista André Braz em sete capitais brasileiras – São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Brasília, Salvador e Recife – teve comportamento semelhante, sempre abaixo da inflação no período.

Como pode  ser verificado na planilha anexada, na capital baiana, o telefone celular apresentou maior queda (-18,36%) enquanto que o sapato feminino teve a maior alta (14,41%). Já em Belo Horizonte, o teatro foi o que mais subiu (36,03%) e a maior queda (- 7,64%) ficou novamente com o telefone celular. Em Brasília, as roupas femininas para a prática esportiva (16,97%) estão nas alturas enquanto que, mais uma vez, o celular (-17,90%) tem a maior baixa. Em Porto Alegre, o sapato feminino (5,82%) foi o item que apresentou maior alta, cabendo ao agasalho feminino (-13,84%), bijuterias (-11,85%) e telefone celular (-11,41%) as maiores quedas nas vitrines. Na capital pernambucana, o teatro teve a maior alta (19,38%) e o telefone celular foi o que mais caiu (-7,03%). No Rio de Janeiro, o celular apresenta queda (-8,09%) enquanto os shows musicais têm a maior alta (15,31%). Na capital paulista, o agasalho feminino (-14,07%), teatro (-10,58%) e o telefone celular (-8,92%) estão em baixa enquanto que o hotel apresenta a maior alta (10,70%).

O economista André Braz atende a imprensa pelo telefone (21) 3799-6769.